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Postado em 23 de Março de 2017 às 15h28

Honda CB 650F: comportada demais, não repete sucesso da Hornet

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fonte:( moto.com.br )

Há dois anos no mercado, modelo mais racional e menos potente perde a liderança do segmento naked

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A Honda CB 650F tem todos os atributos que fizeram as motos japonesas tomarem conta do mercado mundial na década de 1970. Impulsionada por um motor de quatro cilindros em linha de funcionamento linear, a naked oferece uma posição de pilotagem natural e seu comportamento é bastante dócil. Ingredientes responsáveis pela fama de antigos modelos, como a Honda CB 750, a Kawasaki Z1 e a Suzuki GS 750. Mas, no caso desta mais recente “CB”, o comportamento dócil até demais parece não ter conquistado os fãs, ao menos no Brasil.

Lançada no final de 2014, a CB 650F chegou com a difícil missão de substituir outra CB, a 600F Hornet, embora a Honda negue isso e até evite comparar os modelos. Claramente, porque as comparações não favorecem a comportada CB 650F.

Esportividade versus racionalidade
Sucesso de vendas ao longo de uma década (2004 a 2014), a Hornet, tinha uma proposta mais esportiva. Seu quadro era feito em alumínio, a suspensão dianteira usava garfo invertido e, o mais importante, seu motor de 599,3 cm³, derivado da esportiva CBR 600RR, oferecia 102 cv de potência máxima a 12.000 rpm e com aquela “esticada” mais forte em altos giros.

Já o tetracilíndrico da CB 650F produz apenas 87 cv a 11.000 rpm. Uma razão para a redução é que os engenheiros da Honda privilegiaram o torque em baixos e médios giros, onde o novo motor de quatro cilindros, 649 cm³, DOHC e 16 válvulas é realmente mais forte: atingindo o máximo de 6,4 kgf.m já a 8.000 giros.

Apesar do desempenho inferior, o motor da CB 650F é bastante flexível. A ampla faixa de torque ajuda a fazer dela uma moto rápida e, ao mesmo tempo, fácil de pilotar. É um típico motor Honda de quatro cilindros, com uma entrega de potência suave e controlável. Não há aparatos modernos, como acelerador eletrônico, modos de pilotagem ou controle de tração, apenas uma resposta imediata ao acelerador já a partir de 4.000 giros e um câmbio com engates precisos e uma relação longa nas marchas mais altas. Pode-se engatar a sexta e última marcha e rodar tranquilamente até na cidade. O consumo variou entre 15,6 e 17,4 km/litro.

A velocidade máxima fica pouco acima dos 200 km/h e, portanto, há desempenho suficiente para viajar dentro do limite legal, e a sensação de velocidade é ampliada pela falta de proteção aerodinâmica. Mas, apesar do agradável ronco da ponteira curta do escapamento, essa naked Honda não é das motos mais emocionantes. Em altas rotações, acima dos 8.000 rpm, os giros crescem mais lentamente e a CB 650F não tem a mesma “pegada” da Hornet.

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Fácil de pilotar
O desempenho do conjunto ciclístico é bastante equilibrado, mas também sem muita inspiração. A CB 650F é bastante maneável em baixas velocidades, graças a sua posição de pilotagem ereta e um assento baixo – 810 mm – que permite que a maioria dos motociclistas alcancem os pés no chão. A estabilidade em alta velocidade é excelente; e as suspensões, embora sejam espartanas, oferecem uma combinação de conforto e controle em curvas.

Mesmo que não haja do que reclamar, a naked de 650cc não consegue se igualar em leveza, agilidade e não transmite a mesma confiança do que a Hornet ou outras nakeds médias em uma serra sinuosa. Os freios são um bom exemplo: os dois discos de 320 mm e o eficiente sistema ABS são adequados para situações normais, mas em uma frenagem mais forte é preciso apertar o manete com vontade.

 

O banco duplo é confortável para médias jornadas e a garupa conta com alças de apoio e há ainda ganchos para a bagagem. O painel digital é atrativo e de fácil visualização, e inclui consumo médio e instantâneo, embora não seja possível alternar entre as informações sem tirar uma das mãos do guidão. Um indicador de marcha na CB 650F com seu elástico motor também seria bem-vindo.

Falta emoção
A Honda CB 650 F traz em sua essência o pragmatismo da Honda: uma moto racional, se muita emoção, feita para agradar diversos públicos, ao invés de se sobressair em relação às concorrentes. Fica difícil criticar, especialmente quando a estratégia resulta em uma moto de visual atraente, que tem um desempenho razoável.

Assim, como outras CB do passado, agrada aos fãs das motos quatro cilindros japonesas, mas falta um pouco de personalidade. Com preço sugerido de R$ 33.900, a CB 650F perdeu a liderança do segmento naked em 2016 para modelos de menor capacidade como a CB 500F (R$ 26.000 de tabela e R$ 20.990, com preço promocional), porém mais em conta. Mas vendeu menos do que outras motos com visual mais marcante e com mais caráter, caso da Yamaha MT-07 ABS 2017 (R$ 31.690) e perdeu até para a própria Honda CB 1000R, essa sim uma naked empolgante, mas que agora saiu de linha.

No fim da contas, a Honda talvez tenha razão e a CB 650F não veio mesmo para substituir a Hornet. Falta um pouco da emoção e do carisma da outra naked média. Fica então a lacuna no line-up da fábrica japonesa para um modelo sem carenagem, com motor de quatro cilindros, potência na casa dos três dígitos e mais personalidade. Cadê a Hornet 800cc?

 

Fotos: Doni Castilho / Agência INFOMOTO

TEXTO: Arthur Caldeira/ Agência INFOMOTO

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